Um ritual de rapé em casa em 7 passos

Uma mão que passa suavemente por pó de rapé fino e castanho

Em resumo

  • Um ritual faz do rapé um momento consciente, e não um hábito entre duas coisas.
  • Dá-te tempo: um sítio calmo, a tua respiração, uma intenção sincera.
  • Começa com pouco: mais ou menos uma ervilha por narina.
  • Depois de soprar, fica um pouco sentado e termina com calma.
  • O rapé é só para adultos (18+).

Imagina só. É noite. A casa está em silêncio. O telemóvel ficou noutra divisão. Estás sentado numa almofada, com uma vela à tua frente. Abres o frasco escuro e sentes o cheiro da floresta. Profundo e terroso. Os teus ombros já descem um pouco.

É assim que começa um ritual de rapé em casa. Não é uma cerimónia na selva. És só tu, a tua respiração e uma planta com uma longa tradição.

Sou o Kevin Lorenzini, condutor de cerimónias e fundador da Purity Healing. Há cerca de oito anos que tenho uma ligação a uma aldeia Huni Kuin no Acre, na Amazónia brasileira. Neste artigo partilho sete passos simples. Assim fazes do rapé da Amazónia um ritual calmo.

Porquê um ritual de rapé?

Talvez conheças a palavra rapé de outro contexto. Aqui falamos do rapé dos Huni Kuin: um pó fino de plantas e cinzas de árvores, feito à mão na Amazónia. Para eles, o rapé não é algo que se toma "só porque sim". Usa-se com uma razão, com intenção. É um momento de sintonia. Com a planta, contigo e com aquilo que está presente.

Em casa também podes fazer isso. A diferença não está no rapé. Está na forma como estás presente. À pressa, entre dois compromissos? Ou com calma e atenção? Um ritual ajuda-te a escolher a segunda opção. Sempre, de cada vez.

Ritual de rapé em casa: 7 passos

1. Escolhe o teu momento

Escolhe um momento em que não tenhas nada para fazer. Não mesmo antes de um compromisso. Não quando estás cansado e com pressa. Muitas pessoas escolhem a manhã, para começar o dia com atenção. Outras escolhem a noite, para fechar o dia. Come pouco antes e não bebas álcool.

2. Prepara o teu espaço

Procura um sítio calmo, onde ninguém te incomode. Põe tudo o que precisas ao alcance da mão:

  • o teu frasco de rapé e o teu kuripe;
  • uma colherzinha ou um pratinho pequeno e seco;
  • lenços de papel e um copo de água;
  • uma almofada ou um tapete;
  • se quiseres, uma vela, e um caderno com uma caneta.

Desliga o telemóvel ou põe-no em silêncio. De preferência, deixa-o noutra divisão.

3. Entra na tua respiração

Senta-te com as costas direitas. Deixa os ombros descer. Relaxa o maxilar. Durante alguns minutos, inspira com calma pelo nariz. Expira devagar pela boca. Faz a expiração um pouco mais longa do que a inspiração. Sente como o teu corpo assenta no chão.

4. Define a tua intenção

Pergunta a ti mesmo: porque estou aqui sentado? O que quero largar? Em que quero parar e pensar? Transforma isso numa frase curta. Sincera, não bonita. Di-la em voz alta ou em silêncio. Também a podes escrever.

5. Abre o frasco e usa pouco

Abre o frasco com calma. Cheira. O que sentes? Madeira, terra, cinza, algo doce? Depois tira um pouco de rapé. Mais ou menos uma ervilha por narina chega. Podes sempre usar mais, mas nunca menos. Usa uma colherzinha seca. A humidade não faz bem ao teu rapé.

6. Sopra com calma, primeiro à esquerda e depois à direita

Leva a ponta curta do kuripe à boca. Encosta a outra ponta, com calma, à narina. Sopra com uma expiração curta e regular. Não demasiado forte. Na tradição, começa-se pela esquerda, para largar. Depois a direita, para receber. Depois de soprar, respira pela boca.

Tens dúvidas sobre a respiração? Pratica primeiro sem rapé. Mais sobre isto em Como usar o kuripe: a arte de soprar rapé.

7. Fica sentado e termina com calma

Fica sentado. Fecha os olhos, se quiseres. Lágrimas, nariz a pingar ou um pouco de náusea: muitas vezes faz parte. Não lutes contra isso. Continua a respirar pela boca.

Muitas pessoas notam que, ao fim de alguns minutos, a cabeça fica mais calma. A atenção desce para o corpo. Dá-te tempo para isso. Depois, bebe um copo de água. Escreve o que notaste. Termina à tua maneira: com um obrigado, um momento de silêncio ou apagando a vela.

Que rapé para o teu primeiro ritual?

Cada tipo tem o seu carácter e a sua intensidade, de 1 a 7. Está em cada rótulo. Mais alto não é melhor. É um carácter diferente.

Estás a começar? Então Tsunu, Rosa e Murici são os três um bom começo. O Rosa é o mais suave, com intensidade 3 em 7. Queres primeiro conhecer vários tipos? Começa com um conjunto de amostras. Ou faz o guia de escolha.

Com segurança e respeito

O rapé é uma preparação vegetal tradicional para uso cerimonial e espiritual. Não é um medicamento nem um produto recreativo. Todos os nossos produtos são só para adultos (18+).

Estás grávida, a amamentar ou tomas medicação? Fala primeiro com o teu médico. Não combines rapé com álcool nem com drogas. É a tua primeira vez? Lê primeiro Como usar rapé com segurança. E, de preferência, faz isso com acompanhamento.

Perguntas frequentes sobre um ritual de rapé

Com que frequência se faz um ritual de rapé?

Não há uma regra fixa. Ouve o teu corpo. Usa o rapé com consciência e com moderação, e sempre com uma razão.

Preciso de ter uma intenção?

Ajuda. Uma intenção dá direção ao teu momento. Mantém-na curta e sincera. Uma frase chega.

E se me vierem lágrimas ou tiver de espirrar?

Muitas vezes faz parte. Não lutes contra isso. Continua a respirar com calma pela boca e deixa lenços de papel à mão.

Posso fazer um ritual de rapé de manhã?

Sim. Muitas pessoas escolhem a manhã para começar com atenção. Outras escolhem a noite. Escolhe um momento em que não tenhas nada para fazer.

Pronto para o teu próprio ritual? Escolhe um rapé que combine contigo.

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